A andarilha

 

 


Envolta em felpuda toalha de algodão,
os longos cabelos molhados pelo orvalho das ramagens,
prepara-se a andarilha para mais uma exibição.

Preguiçosa, aguarda a luz dos refletores
disfarçados por entre as cortinas escarlate
e os acordes do rufar de mil tambores.

Sensuais gestos de bailarina evocam
lembranças de gentis momentos e imagens disformes
de épocas distantes que de sonhos acordam.

Espectadores mudos, olhar parado, aguardam pacientes
no amplo teatro enfumaçado, a hora deificada da exibição
em que a andarilha cigana seu bailado apresente.

E eis que, desnudada, leve rubor na branca face estampa
e em passos cadenciados de antigos rituais da deusa
violinos e pandeiros – ela inicia sua dança.

Percorre o céu a lua, dançarina perfeita,
Seguindo os passos da dança, traçados pelo seu destino
Gerando ilusões, concretizando sonhos e nas águas de prata refeita.

Fim do espetáculo!
Uma luz difusa inunda a saída do teatro
Sons confusos, passos, fumaça:
matéria e dor descolorida,
que no instante a alma abraça
no fétido odor de que agora é feita a vida.

Terezinha Almeida

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